MPT lança campanha nacional contra o trabalho infantil

Chega de Trabalho Infantil

O Ministério Público do Trabalho lança nesta sexta-feira (10/02), em Campinas, uma campanha nacional de combate ao trabalho infantil, intitulada #Chegadetrabalhoinfantil, com o apoio de personalidades da música e dos esportes (os cantores sertanejos Daniel, Chitãozinho e Xororó, o ex-jogador de vôlei Maurício Lima e a ex-jogadora de basquete Hortência Marcari).

Voltada para o ambiente online, a campanha buscará o engajamento dos internautas nas redes sociais, incentivando-os a postar o gesto da “hashtag” em seus perfis como forma de apoio à causa contra o trabalho irregular de crianças e adolescentes. O evento de lançamento, que acontecerá na sede do MPT Campinas, às 13h30, contará com a presença do palestrante e psicoterapeuta Ivan Capelato, que falará sobre as causas psicossociais do trabalho infantil.

A campanha, apoiada pela Coordinfância (Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes), foi desenvolvida pela agência Bretas Comunicação/B52 com o uso de verbas oriundas de acordos firmados com empresas do interior e da Grande São Paulo. Os artistas e esportistas que participam da iniciativa não cobraram cachê.

Dentre os produtos disponibilizados aos internautas estão um site temático, contendo um blog com notícias, atualidades, orientações e prestação de serviços, além de um local dedicado a artigos e opiniões de especialistas. A campanha também contará com uma fanpage no Facebook e um canal próprio no YouTube. Os artistas gravaram vídeos com duração de 30 segundos com o mote da campanha, o “Hashtag neles”.

“Estudos recentes apontam para um grande número de crianças e adolescentes submetidos ao trabalho irregular no Brasil, e isso traz preocupação ao Ministério Público. Não podemos combater o trabalho infantil sem que haja o engajamento da sociedade. As personalidades que apoiaram a campanha assumiram o compromisso por um Brasil melhor, em que as crianças possam se focar unicamente em brincar e estudar. Esperamos, com isso, despertar o envolvimento das pessoas, de forma a torna-las defensoras da causa e replicadoras da mensagem”, afirma a procuradora Marcela Monteiro Dória, representante da Coordinfância no interior de São Paulo.

Para o secretário municipal de Trabalho e Renda, Luis Yabíku, a iniciativa do Ministério Público do Trabalho de procurar engajar a sociedade em uma campanha de conscientização de erradicação do trabalho infantil em todo o País, utilizando as redes sociais e com o apoio de personalidades do mundo artístico e esportivo, é atual, necessária e perfeitamente alinhada com os esforços de sua pasta de promover, incentivar e atuar diretamente na valorização da mão de obra dos jovens aprendizes.

“Temos que dar oportunidade de trabalho para os jovens, tendo como norte a Lei de Aprendizagem, que garante as condições necessárias para que isto ocorra, em oposição incondicional ao trabalho irregular de crianças e adolescentes, que são submetidos às mais severas e degradantes situações”, comenta Yabíku.

Segundo dados do Sinai (Sistema de Informações de Agravo de Notificação), do Ministério da Saúde, morreram no país 187 crianças e adolescentes com idades entre cinco e 17 anos durante o trabalho nos anos de 2007 a 2015. Outros 518 jovens tiveram a mão amputada em acidentes laborais, num total de 20.770 casos graves de acidente de trabalho envolvendo pessoas menores de 18 anos. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) calcula que 14,4% dos trabalhadores que atuam em atividades de alto risco no Brasil têm idades entre 15 e 17 anos.

Apesar da queda de quase 20% dos casos de trabalho infantil em 2015 com relação a 2014, apontada pela mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ainda há 2,6 milhões de pessoas entre cinco e 17 anos trabalhando no Brasil.